Tecidos com cores vivas datados de 3.000 anos – Era do Rei Davi – foram encontrados no Sul de Israel

Em 2017, dúzias de fragmentos de tecidos com cores vivas da Era do Rei Davi e do Rei Salomão foram encontrados em uma escavação arqueológica em Timna, no Sul de Israel.

As peças, tecidas em lã e datadas do Século 12 até 10 a.C. foram tingidas usando corantes vegetais e algumas são decoradas com um padrão de faixa azul e vermelho.

O sítio de escavação em Timna. Créditos: Erez Ben-Yosef, Universidade de Tel Aviv.

Elas trouxeram luz à cultura que estabelecia as minas de cobre na antiga Timna no deserto e na industria têxtil, durante o período Bíblico de 3.000 anos atrás.

Graças ao extremo clima árido dessa região, esses raros fragmentos e suas cores puderam ser preservados, comentaram a Doutora Naama Sukenik (da Autoridade de Antiguidades de Israel – IAA) e o Dr. Erez Ben-Yosef (da Universidade de Tel Aviv), com um time de pesquisas da Universidade de Tel Aviv, Universidade de Bar-Ilan e a IAA.

Dr. Ben-Yosef e Dra. Sukenik examinando os fragmentos de tecidos coloridos recuperados em Timna. Créditos: Yolli Schwartz, cortesia da IAA.

Os pesquisadores dizem que esses fragmentos de tecidos que utilizam da técnica de coloração vegetal são os mais antigos encontrados fora os do Egito.

Os fragmentos eram pequenos, sendo o maior deles com apenas alguns centímetros quadrados.

Os corantes foram identificados nos laboratórios da Universidade de Bar-Ilan usando cromatografia líquida de alta pressão. As análises encontraram duas fontes principais: uma planta chamada Garança, usada para fazer corante vermelho de suas raízes e Indigotina, um azul provavelmente feito de Isatis Tinctoria, outra espécie de planta, em um processo longo de vários dias.

Tecido de lã de Timna. Créditos: Clara Amit, cortesia da IAA.

Ambas as plantas foram muito utilizadas no mundo antigo para colorir, e como disseram os pesquisadores, eram “verdadeiros corantes” – caracterizado pelas ligações químicas entre o corante e a fibra do tecido.

Raízes do corante Garança, usado para produzir o pigmento vermelho. Créditos: Shahar Cohen, cortesia do Prof. Zohar Amar, da Universidade de Bar-Ilan.

Uma vez cultivadas especificamente como corantes na Terra de Israel, seu uso continuou até o descobrimento de cores sintéticas.

A Dra. Sukenik sugere que as plantas foram cultivadas para fazer corantes, atestando uma indústria têxtil vigorosa, localizada em outro lugar. Os pesquisadores também pensam que o próprio tecido de lã também foi importado para a área de mineração do deserto, que era um lugar inóspito tanto para as ovelhas, quanto para cultivação de plantas.

Fragmentos de tecido de lã coloridos com listras vermelhas e azuis. Créditos: Clara Amit, cortesia da IAA.

A cidade de Timna na Idade do Ferro foi principalmente um local de mineiração. Ben-Yosef e Sukenik sugerem que tecidos finos e listrados coloridos, indicam que a sociedade em Timna, identificada com o Reino de Edom, foi Hierárquica e “incluía uma alta classe que tinha acesso para tecidos coloridos e prestigiosos”.

A Fundição no mundo antigo era uma tarefa para pessoas altamente qualificadas. E achados anteriores em Timna e no contexto no qual os tecidos foram encontrados, sugere que os Ferreiros estavam entre as pessoas de elite e não trabalhadores de classe baixa ou escravos.

Em 2014, os Professores da universidade de Tel Aviv – Ben-Yosef e a Dra. Lidar Sapir-Hen – analisaram restos de comida de 3.000 anos atrás e concluíram que os trabalhadores que operavam as fornalhas eram de fatos artesãos bem qualificados, que eram tidos com a mais alta estima e que jantavam como senhores.

Sítio 34 em Timna, anteriormente chamado de “Colina dos Escravos”. Os novos achados inficam que os ferreiros que trabalhavam na área aproveitavam um alto status social. Crédito: Erez Ben-Yosef, da Universidade de Tel Aviv.

Dentre outras evidências de uma deliciosa alimentação, os Arqueólogos encontraram ossos de peixe que tinham que ser importados do Mar do Mediterrâneo e não do próximo Mar Vermelho. Também encontraram sementes de frutas que não poderiam ter crescidas lá, incluindo uvas e romãs, além de trigo e cevada.

As pessoas que operavam na mina de Timna pertenciam à uma tribo nômade ou semi-nômade de Edom. Agora, se o local foi controlado pelos Reinos de Davi e Salomão de Jerusalém, ou Egito (que foi assumido até esse estudo), permanece desconhecido.

O sítio de escavações de Timna. Créditos: Erez Ben-Yosef, da Universidade de Tel Aviv.

E aí? Quero saber de vocês: que tipo de pessoas vocês acham que viviam nesse lugar? Que coisas será que eles gostavam de fazer? Deixe nos comentários!

Obrigada por ter lido até aqui, te vejo na próxima e Shalom!

Traduzido do artigo do site Haaretz.

Imagem da capa: Ampliação microscópica (x60) do tecido de lã da Timna tingido em listras vermelhas e azuis (foto tirada com o microscópio Dino-Lite). Créditos: Dr. Naama Sukenik, da IAA.

E aí? Me conte o que achou do post!